Aprendizagem,  Parentalidade consciente

O dia em que nasce uma mãe, um pai….

Lembro-me do dia que chegámos a casa depois de a minha filha nascer. O pai disse: ”foi a primeira vez que trouxemos alguma coisa nova para casa e não tivemos de pagar por ela!”

Na verdade saímos dois e voltámos três!

Bem vistas as coisas, ser pai ou mãe, é a única vez que recebemos o certificado primeiro e apenas depois realizamos o curso. É mesmo isto, nasce o nosso filho e aí nasce também na nossa vida um novo papel o de “mãe” e “pai”. Até que, na maioria das vezes, deixas de ter nome próprio, passas a ser a mãe de… ou o pai de…
É no dia dia-a-dia que vais aprendendo a cuidar do teu filho, realizando com mais ou menos sucesso algumas das avaliações desse curso (para a vida).


Quando somos mãe ou pai a nossa mente desperta para um novo mundo e no meio de tantas dúvidas e questões, procuramos informações. Demasiada informação e muito pouco sentir.

Os primeiros meses de um bebé podem ter tanto de belo como de desafiante. Temos de ter atenção a tantas coisas ao cuidar de um recém-nascido, o que precisamos de comprar para ter em casa, a amamentação, as vacinas, a hora do banho, o sono do bebé. Todo um corresponder às necessidades do bebé. É preciso aprender a perceber a linguagem e comportamentos do nosso bebé.

Quantas vezes nos questionamos sobre o livro de instruções do bebé ou até onde está o botão para desligar (só queremos uma noite de sono).
Depois começam a surgir questões sobre a educação… Como quero educar o meu filho? Quais os valores que lhe quero passar?

Os nossos filhos nascem, acredito eu, com um lindo propósito de nos trazer luz, no fundo eles só querem iluminar-nos, por isso mostram-nos o nosso lado sombra como ninguém, como uma perícia que só uma criança sabe.

Se me questionares se é preciso estudar para ser mãe e pai? Diria que não, porque nós seres humanos, assim como os animais, temos o nosso instinto e intuição para suprir as necessidades dos nossos filhos, mas…. Reflete comigo, estudamos para tudo aquilo que nos propomos fazer na vida. Fazemos cursos de preparação para o parto, para sabermos como nos comportar no parto, para sabermos tratar das necessidades básicas do bebé. Preparamo-nos para o desconhecido.
E o crescimento e desenvolvimento do teu filho não é também desconhecido?

E por vezes questionas-te: “mas será que devo de tirar um curso, um workshop…ler um livro para ser aquilo que supostamente é natural?! Isto antigamente não se fazia, os filhos criavam-se.”

Pois é, concordo contigo em parte e vou entregar-te o meu ponto de vista.

Antigamente havia uma rede de apoio, avós, tios, vizinhos. Sabes aquele provérbio africano “É preciso uma aldeia para criar uma criança.” Pois é, era um pouco assim, grande maioria das crianças da minha geração crescia assim, suportada e acompanhada por um conjunto de pessoas da rede de apoio dos pais, livres!

Apesar de existir uma rede de apoio, era dado menos espaço às emoções e às necessidades psicológicas das crianças. A educação era tradicional do “fazes assim porque sou eu que mando e mais nada!”. Se reparares bem o que a criança interpretava aqui era: “eu não tenho valor, o que eu penso não interessa, logo eu não interesso.”
Sim, porque existe uma grande diferença entre o que é dito à criança e o que ela sente.
E qual é a consequência? Marcas profundas no adulto que irá ter de curar mais tarde. Se estiveres atent@, quantos adultos procuram ajuda ou vivem paralisados ou em fuga daquilo que têm em si, daquilo que temem sentir!

E AGORA..?! Os pais da atualidade deixaram de se escutar e confiar naquilo que o coração lhe diz e muitas vezes preferem confiar mais nos outros do que em si mesmos. A maioria das mães sente CULPA. E é preciso perdoar e lidar com essa culpa, para ficar tudo bem!

No meu trabalho com pais e famílias, trago à luz da consciência questões essenciais à descoberta interior e também um conjunto de novas formas de criar a relação familiar em harmonia, alegria e paz. No fundo, quem define o caminho são os pais, mas já com a consciência plena de si e dos filhos.

Acredito profundamente, que para os pais desta nova era, é preciso aprender a desaprender, romper os paradigmas com os modelos de educação que perpetuam a desconexão, baseados em gritos, castigos e palmadas…. Modelos que criam crianças sem empatia e compaixão, que são desobedientes porque não aprenderam a estabelecer relações sociais baseadas no respeito mútuo.

Que a nossa jornada de pais seja no caminho da educação na essência de SER mãe, SER pai e SER filho, para assim TERmos famílias felizes, conscientes e com essência.


Juntos a criar uma nova consciência e essência no Mundo!

Estou aqui para cuidar de ti, com amor!

Ana Henriques

Nota: Artigo publicado para o Blog “O mundo da Pediatria” 

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